
Cannabis ajuda ou piora a depressão? Veja o que mostram os estudos científicos mais recentes, riscos do THC, limites do CBD e possíveis terapias.
Cannabis e depressão é um assunto que ainda divide opiniões, afinal ainda não há um consenso no meio científico a respeito do uso da planta para o tratamento de saúde mental.
Ao analisar as revisões publicadas nas principais revistas da área, até o início deste ano, há análises prós e contras o uso de canabinoides para o tratamento da depressão.
Há evidências que indicam que o uso de THC pode trazer mais riscos do que benefícios. Mesmo o canabidiol, que tem resultados excelentes no controle da ansiedade, ainda não é aceito, de acordo alguns pontos de visa. Confira os que últimos estudos revelam:
O que a ciência diz sobre o uso de cannabis medicinal para depressão?
A relação entre cannabis medicinal e depressão tem sido amplamente estudada nos últimos anos, tanto por cientistas, quanto por médicos que adotaram o óleo da planta como parte do processo terapêutico.
Para traçar o panorama geral e tentar responder se a cannabis atrapalha ou ajuda no tratamento da depressão, listamos artigos publicados nos últimos dois anos que abordam a questão de pontos de vista diferentes.
1. The Lancet Psychiatry (2026)
A Lancet, uma das revistas mais respeitadas do mundo, publicou no começo de 2026 o resultado da análise de 54 ensaios clínicos conduzidos ao longo de 45 anos sobre a relação da cannabis com a depressão:
- não há evidências consistentes de eficácia da cannabis (CBD ou THC) para depressão, ansiedade ou TEPT;
- sinais positivos do uso da cannabis para o tratamento de insônia e tiques, porém com baixa evidência;
- risco de sintomas psicóticos, dependência e atraso no início de tratamentos convencionais.
2. JAMA Internal Medicine (2026)
O Jama Internal Medicine divulgou um estudo onde avaliou o uso de medicamentos com CBD isolado ou THC/CBD combinados. Os resultados foram:
- evidência insuficiente para uso de produtos medicinais de cannabis no tratamento da depressão;
- THC, mesmo em formas medicinais, está associado a risco elevado de psicose e transtorno por uso de cannabis (CUD);
- recomenda-se evitar cannabis medicinal em adolescentes e pessoas com transtornos afetivos graves.
3. Frontiersin Public Health
Em 2024, a Frontiers in Public Health realizou uma investigação sobre o uso de cannabis medicinal em pacientes com depressão e transtorno bipolar. A pesquisa concluiu:
- pacientes que faziam uso terapêutico de cannabis apresentaram maior carga de sintomas depressivos e maníaco;
- o uso foi associado a pior evolução clínica e prognóstico.
4. PsychologicalMedicine
A Psychological Medicine, decidiu analisar 22 estudos, muitos deles incluindo produtos derivados da cannabis, comparando usuários e não usuários durante os anos. No fim, a publicação demonstra:
- o uso (incluindo medicinal) aumentou em 29% o risco de desenvolver depressão futura;
- os maiores riscos foram observados em adolescentes, frequentemente usuários de cannabis medicinal para dor, insônia ou TEA.
5. CNS Drugs / Springer Nature
Por fim, temos a revisão cientifica publicada pela CNS Drugs / Springer Nature. O foco da pesquisa foi avaliar o uso de canabinoides medicinais, especialmente CBD e THC em formulações farmacêuticas e o impacto em transtornos mentais. Eles entenderam que:
- efeitos negativos estão mais associados ao THC, mesmo em preparações médicas controladas;
- CBD isolado apresenta sinais de possível utilidade em ansiedade, mas não há evidência clínica sólida de eficácia antidepressiva;
- variáveis como dose, produto, composição e idade influenciam fortemente o risco de piora clínica.
O que dizem os especialistas em cannabis medicinal

Estudos realizados por especialistas em cannabis medicinal como Michael Backes, María García-Gutiérrez e outros trazem um olhar diferente para da planta para o tratamento da depressão.
De acordo com esses estudos, o uso de cannabis para depressão apresenta dois tipos de resultados, dependendo do princípio ativo usado na formulação do medicamento.
Por exemplo, remédios à base de canabidiol (CBD), possuem ação antidepressiva rápida, demonstrando efeitos entre 30 minutos e sete dias, menos da metade dos antidepressivos comuns, que levam até dias para fazer efeito.
A explicação para esse resultado satisfatório acorre porque o CBD aumenta a sinalização do BDNF e promove a sinaptogênese no córtex pré-frontal. Essa combinação auxilia na recuperação de conexões neurais perdidas pelo estresse crônico.
Além disso, o CBD modula os níveis de serotonina, um neurotransmissor essencial para a regulação do humor.
Se o canabidiol auxilia no tratamento, o THC tem a administração para depressão um pouco mais delicada. Se usado em doses baixas (entre 1mg e 5mg), a substância pode atuar na elevação do humor e alívio da depressão.
Entretanto, se usado em doses altas, o THC pode apresentar efeito contrário e agravar quadros depressivos.
Outros canabinoides e a depressão
Estudo indicam que pacientes com depressão sofrem com baixos níveis de endocanabinoides naturais no sangue. Por conta disso, administrar suplementos com fitocanabinoides pode ajudar a restaurar a homeostase no organismo.
Outros canabinoides como limoneno e o linalo, potencializam os efeitos dos fitocanabinoides, causando quadros de euforia e modulação da dopamina. Isso em falar do efeito ansiolítico, reduzindo a ansiedade.
Cannabis ajuda ou atrapalha no tratamento de depressão?
Não há uma resposta consensual para essa pergunta. Hoje, o que podemos dizer é que a cannabis pode atrapalhar ou oferecer riscos, de acordo com alguns cenários.
- tratamento isolado: é considerado imprudente tratar o Transtorno Depressivo Maior (TDM) apenas com cannabis. A recomendação é ser usada como adjuvante em casos refratários aos antidepressivos convencionais;
- transtorno bipolar: embora possa elevar o humor momentaneamente, o uso de cannabis em pacientes bipolares está associado a um pior prognóstico, com aumento na frequência e gravidade de episódios de mania;
- ideação suicida: em casos graves, devem-se evitar medicamentos ricos no terpeno pineno, que pode provocar ansiedade;
- histórico de psicose: pacientes com histórico pessoal ou familiar de psicose ou esquizofrenia devem evitar fórmulas com THC, pois o canabinoide pode desencadear ou agravar episódios psicóticos.
Em resumo, a cannabis ajuda quando prescrita em doses controladas e formulações ricas em CBD, já que foca na modulação da neuroplasticidade.
No entanto, quando a o medicamento possui altas doses de THC ou em quadros de predisposição a transtornos psicóticos e bipolares, a cannabis medicinal atrapalha.
Cuide de sua saúde com a Cannect
Sofre com dores crônicas, insônia e outras doenças refratárias, conheça a Cannect. Nós somos um ecossistema de saúde focado em acompanhar o paciente durante todo o tratamento.
A nossa plataforma coloca o paciente em contato direto com um médico que irá fazer uma análise completa da sua saúde, prescrever a medicação e oferecer todo o suporte o suporte que você precisa.
Agende agora mesmo uma consulta e converse com nossos médicos parceiros. Com certeza eles vão encontrar a melhor solução para o seu problema de saúde.